14/12/2013

A saga Assassin's Creed e o mestre Altaïr



E hoje vou falar um pouco sobre a franquia Assassin's Creed e a escrita de Oliver Bowden, também conhecido como Anton Gill, autor de todos os livros da saga.

Aos que seguem o blog, sabem das minhas desaparecidas de vez em quando, por causa da faculdade e de afazeres diários, mas a leitura nunca para! Ultimamente tenho lido muito mais do que antes e a produção do meu livro Cinco Demônios e Uma Princesa está cada vez mais avançada, talvez por isso eu suma às vezes e por isso o blog fica meio que "abandonado", mas sempre dou uma passada por aqui e sempre dou um jeito de produzir algo, seja poesia, seja conto ou seja uma parte do meu projeto de livro.

Sobre a saga Assassin's Creed, vou comentar por alto sobre os dois primeiros e a história de Ezio, mas vou focar mais no terceiro livro, que me surpreendeu completamente. Ok?

Como todos já sabem, a saga conta a história dos jogos da franquia, com cada história se passando em um contexto histórico diferente. No primeiro livro, como o próprio nome já diz, se passa na época do Renascimento, com nomes como Leonardo Da Vinci aparecendo na história, sendo seguido por Nicolau Maquiavel no segundo livro Irmandade. Ezio Auditore é um verdadeiro estrategista com espírito de assassino e eu sempre admirei esse personagem, mas eu ainda não conhecia Altaïr...

Altaïr é um Mestre! O terceiro livro retorna ao passado, em meados do ano de 1200 d.C., para contar como tudo começou. Contar sobre a origem do Credo dos Assassinos e sobre a eterna guerra entre esse e os Cavaleiros Templários, explicando a origem das armas e costumes da Irmandade. Altaïr é o tipo de personagem inexperiente, mesquinho, bobo, que sofre e passa por várias situações difíceis envolvendo traição, perdas, decepções, morte, e quando tudo acaba, ele ainda está de pé, e mais forte! Não gosto de colocar spoilers nos meus comentários, por isso resumi dessa forma, mas é o tipo de personagem lutador e persistente. Não que Ezio não seja assim, mas a história de Altaïr me surpreendeu, me emocionou, me deixou com raiva e na maior parte do tempo me deixou admirado.

O livro conta o nascimento de um herói, um mestre digno de admiração, que conseguiu chegar ao lugar onde está agora após muito sofrimento e sem nunca desistir de seus sonhos, de seus objetivos e de sua família e seu povo. Oliver Bowden nos guia com uma linguagem simples e fácil de se entender, utilizando alguns termos em outras línguas que são traduzidos num glossário ao final de cada livro, bem como os nomes de todos os personagens que aparecem no livro, tanto os fictícios quanto os reais. Tenho gostado muito de seus escritos!

Os fãs do jogo me corrijam se eu estiver errado, mas ouvi comentários dizerem que o primeiro Assassin's Creed (que é protagonizado nos consoles por Altaïr) é o pior da franquia, talvez por isso a história de Altaïr não tenha sido bem explorada e não tenha sido muito falada, mas esse livro foi o melhor que li até agora. O meu favorito. Que venha o próximo Revelações, do qual eu pensara que não estava interligado com A Cruzada Secreta, mas descobri que está intimamente ligado. Quem leu, entenderá! Hehehehe

Recomendo a saga para aqueles que gostam de aventura e ação. O Renascença achei ótimo, o Irmandade achei um pouco chato e enrolado, mas também foi legal, mas A Cruzada Secreta me atiçou a curiosidade e quero continuar lendo a saga e conhecendo mais assassinos que estão "mudando" a história da humanidade com seus feitos heroicos.

Pra quem não conhece, colocarei a ordem dos livros aqui embaixo, juntamente com o seu correspondente nos jogos, ajudando a entender e a não errar na hora de comprar e ler:

1º Assassin's Creed - Renascença - história do jogo Assassin's Creed II
2º Assassin's Creed - Irmandade - história do jogo Assassin's Creed Brotherhood
3º Assassin's Creed - A Cruzada Secreta - história do jogo Assassin's Creed (o primeiro)
4º Assassin's Creed - Revelações - história do jogo Assassin's Creed Revelations
5º Assassin's Creed - Renegado - história do jogo Assassin's Creed III
6º Assassin's Creed - Bandeira Negra - história do jogo Assassin's Creed IV Black Flag



Quem se interessar, comente aqui embaixo o que achou dos livros e podemos iniciar um fórum ou uma discussão sobre as histórias. Nunca acho ninguém que já leu esse livro pra que eu possa conversar a respeito! kkkkkk

Obrigado a todos!
Boas festas!




Fabiano Lobo

02/11/2013

Mestre Stephen King


E venho cá outra vez falar sobre minhas leituras atuais!
Dessa vez comentarei sobre o livro A Maldição do Cigano, de Stephen King, que li recentemente.

Não posso tirar minhas conclusões sobre esse autor tendo lido somente um livro dele. Mias ainda depois de ter ouvido de algumas pessoas "entendidas do assunto" que esse é um dos piores livros dele.

Sinopse





"Um advogado gordo mata por atropelamento uma senhora que casualmente é filha do patriarca de um clã de ciganos. A vingança do velho se resume em uma maldição: Billy Halleck emagrecerá a cada dia, por mais que coma, até se transformar em nada mais que um feixe de ossos."


Eu achei impressionante!
Não achei tão assustador quanto pensei que fosse. Mas o simples fato de falar sobre essas lendas das quais o medo está impregnado em nossos seres por causa do mistério que as rodeia, já nos deixa pensando se algo assim poderia realmente acontecer.

Achei a escrita do autor às vezes simples, às vezes confusa. Em alguns momentos os devaneios dos personagens acabam se misturando com os acontecimentos atuais, o que deixa um pouco confuso de entender, pois não se sabe ao certo quem disse o que e se aquilo que aconteceu era em pensamento ou na realidade, mas tudo indica que essa é a intenção do autor, que tenta tornar tudo o mais real possível para o leitor, levando-o ao drama e medo que o personagem está vivendo.

É característico de autores de terror e suspense deixar-nos com bastante curiosidade, e o mestre não é exceção. Li tudo em muito pouco tempo, o que não estou acostumado a fazer em livros de outros gêneros. Uma semana pra mim é algo extremamente rápido, e foi o que aconteceu com esse livro. Lia e ficava tentando adivinhar como terminaria o tempo todo. Meus dias lendo esse livro eram dias de curiosidade e de devaneios sobre o personagem em questão.

Por fim, digo que o autor me surpreendeu, pois gostei muito dessa obra, mesmo ouvindo comentários sobre esse não ser o melhor de seus livros. Quero ler os clássicos, aclamados e conhecidos, pra saber mais sobre esse autor. Quero temer e conhecer os personagens que viraram ícones por causa dos livros e dos filmes inspirados nestes, tais como O Iluminado, Carrie a Estranha, Quarto 1408 (Tudo é Eventual), À espera de um milagre e O apanhador de sonhos.

A Maldição do Cigano foi o melhor livro que eu poderia ter lido pra começar a conhecer a obra de Stephen King. A partir deste, quero conhecer vários outros e recomendá-los.

Como eu disse nos comentários do Skoob: Stephen King ganhou mais um admirador curioso!








Fabiano Lobo

04/10/2013

Comentário – Livro God Of War


                Olá a todos que seguem o blog e a todos os que aparecem de vez em quando pra dar uma lida nas minhas loucuras de leitor, poeta, RPGista, gamer e aspirante a escritor!

                Hoje vou comentar sobre o excelente e emocionante livro que conta a história de Kratos – o mortal que teve sua vida inteira usada pelos deuses do Olimpo e que enxerga uma oportunidade de deixar seus pesadelos do passado de lado quando é solicitado mais uma vez a servi-los.

                Vou me abster de comentar sobre a história, pois não costumo dar spoilers por aqui, salvo em resenhas nas quais não é possível comentar sem spoiler, certo? Portanto, falarei do desenrolar do livro, da escrita dos autores e de outras coisas mais.


                Acho interessante os prólogos de livros como esse, que começam com um mistério que é jogado no ar pra ficarmos matutando até o final do livro, que é onde entendemos o porque daquele acontecimento e o que acontece depois daquilo. Só não acho interessante quando o próprio prólogo dá spoilers do livro, como por exemplo, "fulano" está morto (caramba!! aí antes de conhecermos o personagem, já sabemos que ele morre no final do livro!!), o que não é o caso do prólogo desse livro, que deixa uma pergunta no ar, com tom de mistério e frustração.
                A escrita dos autores é interessante, apesar de algumas vezes eu achar estranho eles usarem palavras como "liquidificador" e "helicóptero" pra contar uma história que se passa na Grécia Antiga, onde nenhum desses aparelhos existia ainda. Dá a impressão de que o narrador é uma pessoa que vive na atualidade e está contando a história que aconteceu há anos (milênios!) atrás. Sei lá! Me soou estranho e eu não colocaria (colocarei...) algo assim em um livro meu. Porém como pró, posso dizer que é de fácil compreensão e é descrita de uma forma que flui rapidamente, sem enrolação. Às vezes a palavra "poderoso" é repetida demasiadamente - "... Kratos dá um salto poderoso...", ou "... retira as garras poderosas cravadas em sua pele..." - o que pode ficar enjoativo, mas na maioria das vezes aumenta o clima de emoção, por imaginar algo além do comum, algo extremamente "poderoso" quando se lê esse tipo de descrição. Isso acontece com outras palavras também ao longo do texto.

                Sobre a ação no livro, ela é algo quase que totalmente presente em todos os momentos! É emocionante e eu estou adorando ler livros de jogos, pois é um tipo de leitura que me emociona por me fazer imaginar os heróis lutando em batalhas sangrentas e correndo e saltando de uma forma que eu nunca teria imaginado em qualquer outro livro. Não sei se estou sendo claro quanto à isso, mas adoro a forma como os ataques, fugas, perigos, defesas e contra ataques são descritos nesse tipo de livro, o que eu não estava acostumado a ver e que estou descobrindo fazer parte de minhas leituras favoritas, o que me impulsiona a continuar a tentar escrever, pois uma dificuldade que sempre tive é descrever lutas de forma emocionante, sem ficar cansativo ou chato.

                Como prometido, não coloquei nenhum spoiler, pra não atrapalhar a leitura daqueles que não conhecem a história e digo mais, enxergar os deuses da forma como são descritos na própria mitologia é emocionante, apesar de eu achar interessante também algumas adaptações, como as feitas em Percy Jackson e os Olimpianos. Só acho que as criaturas mitológicas poderiam ter sido um pouco mais desenvolvidas, pois muitas das vezes só servem para guerrear, como se nenhum deles fosse capaz de pensar como um ser humano, mesmo os Minotauros e Centauros são descritos dessa forma, o que me deixou um pouco insatisfeito com relação a isso.

                No mais, o livro é ótimo e impressionante! Recomendo pra quem já experimentou o game e recomendo mais ainda pra quem nunca jogou, pois as revelações feitas durante o desenrolar da história são surpreendentes!

                5 estrelas no Skoob (o que é algo muito raro pra uma pessoa como eu!)!

Fabiano Lobo

23/09/2013

A Dama de todas as Noites - Conto


            E lá estava ela novamente, tentando encontrar alguém com quem compartilhar suas palavras, alguém que não tentasse lhe arrancar a cabeça do pescoço pelo que ela é, alguém na mesma situação ou algo parecido, que pelo menos a entendesse, mas aquilo parecia impossível. Nesse enorme mundo em que vivia, ela era a única que tinha sido marcada com aquilo, uma coisa que a acompanhará pelo resto de seus dias, que ela nem sabe se terão fim.

            Fugindo, se esgueirando, caçando para se alimentar. No início era simples, pois seu dono a ajudava trazendo suas refeições, mas após o ocorrido com aquele grupo de fanáticos achando que eram os salvadores do mundo, ela acabou ficando sozinha. “Ah Zé! Por que você foi tão desatento?” ela pensa, mas nunca saberá, não até descobrir o porque de seu senhor ter se deixado levar pelos prazeres desse mundo e pela morte iminente. Não até descobrir que ele tinha desistido de tudo e achava que seu destino já estava traçado, pois descobriu coisas horríveis sobre si mesmo e sobre seus semelhantes, que ela nunca sonhou em saber.

            Aquele beco parecia estar mais escuro essa noite. Ela sempre passava por ali, mas até parece que nunca tinha reparado naquelas latas de lixo num canto. Talvez porque nunca tinha precisado disso antes. Talvez porque sempre passava com pressa por ali e nunca pensou que voltaria àquele lugar depois de tudo o que aconteceu.

Ela ouve um barulho.

Não como aqueles que ela costumava ouvir sempre naquele local. Ratos. Gatos. Mendigos. Não. Aquele ruído era diferente. Como se chamas ardessem em brasa e no fundo, uma voz sussurrasse palavras obscuras que ela ainda não tinha entendido o significado, ou não conhecia. Ela se vira, tem alguém a vigiando. Do alto uma sombra passa e desaparece em meio a escuridão. No fundo ela sabe quem é, mas não quer acreditar que aquilo seja possível. Que algum inimigo a tenha encontrado. Não da forma como ela tem se escondido desde o início. Aquilo que seu senhor fez foi uma isca, ela tinha certeza disso, mas também não queria acreditar que tudo tivesse acontecido tão rapidamente.

            - Espere! – sussurra uma voz suave e agradável. Parece pertencer a um adolescente na flor da idade, com seus 15 anos no máximo, pois existem vestígios de troca de tons no som da sua voz. – Te procurei por tanto tempo, Vanessa. –

            Como ele sabia o nome dela? Isso era impossível! Sua família estava longe, pois ela havia os deixado em sua cidade natal pra fugir e evitar transtornos, ela havia forjado sua própria morte, mas já fazia muito tempo. Meses ou anos. Só agora ela tinha parado pra pensar no tempo que se passou, e não se lembra ao certo quando tudo começou. Não se lembra de nada. Parece que, quando a eternidade é seu fardo, você não tem tempo pra pensar no quanto o tempo está se passando.

            - Quem é... -

            - Você não me conhece. – ele a interrompe. Aquela voz definitivamente é de uma criança. – Estou aqui pra te ajudar, mas você tem que confiar em mim. Venha. Me acompanhe, pois estamos sendo observados... –

            Um tiro faísca do lado esquerdo, batendo numa lixeira. Parece até ter acertado ali propositalmente. Os dois correm o mais rápido que podem. Ela está desarmada. Tudo ficou em seu antigo esconderijo, com seu mestre despedaçado. Seu único companheiro, com suas armas, roupas e tudo o mais que ela precisava pra viver essa sua vida. Tudo se queimou em uma enorme bola de fogo. Ela observa o rapaz. Ele tem braços fortes e ela ouve sua respiração. Aparenta ser como ela, mas seus traços, seu sangue pulsando e seu coração batendo a confundem, apesar de ela saber que isso é possível. Sombras passam sobre eles, faíscas de tiros continuam a ser vistas, junto com o barulho característico da pólvora sendo explodida no cano da arma. Ela apenas segura reciprocamente na mão direita do rapaz, sendo guiada para algum lugar seguro. “Assim espero...”

                                                                           ~ ~

            Afugentados pela perseguição, os dois avançam pela escuridão daquela noite sem lua, buscando disfarçar seus rastros, algo em que o rapaz parecia ser muito bom, tomando rumos inexplicáveis durante o trajeto e deixando o mínimo possível de evidências de que passaram por aquele local. Depois de algumas horas de caminhada, onde Vanessa se perguntava se deveria estar seguindo aquele estranho, ou confiando nele, ele para em frente a uma casa numa avenida movimentada daquela cidade. Os perseguidores já tinham desaparecido há bastante tempo. Pelos sons de seus sapatos tocando o chão e suas vozes sussurrando uns para os outros, Vanessa conseguiu identificar três pessoas, mas não tinha certeza se eram só três.

            - Chegamos! – ele diz, se virando para Vanessa. – Venha. Entre. Tem alguém que gostaria de falar com você. –

            - Mas... quem é você? – ela pergunta num sussurro, curiosa.

            - Confie em mim. – o rapaz diz. – A pessoa que você conhecerá agora poderá te dar explicações melhores. -

            Ela entra. Seu instinto de sobrevivência e sua intuição dizem que não terá maiores problemas, e que pode seguir sem preocupações. Ela passa por uma sala com dois sofás novos e bonitos e enxerga um homem sentado em uma cadeira giratória de braço com estofado na cor vermelha e a armação na cor preta, no cômodo logo a frente. O homem veste um smoking grafite e sapatos pretos, possui uma barba delicadamente desenhada em volta dos lábios e no queixo. Um cavanhaque. O homem aparenta ter seus quarenta e cinco anos. Ele a olha com um sorriso misterioso no rosto, como se aquele sorriso escondesse alguma segunda intenção. Vanessa se lembra de somente uma pessoa que a olhou daquela mesma forma em toda a sua vida: seu dono. Ela se aproxima cautelosa, pensativa e curiosa. O homem continua com aquele olhar, agora ainda mais penetrante e satisfeito. Ele parecia maravilhado com o que via.

            - Sente-se, minha cara. – ele disse puxando uma cadeira. Sua voz era igualmente misteriosa, suave, agradável. – Eu estava esperando por você! – Vanessa se sentou sem tirar os olhos do homem. A cadeira era confortável, com um assento macio de veludo, também na cor vermelha, como a cadeira em que o homem estava sentado, mas era uma cadeira fixa.

            - Quem é você? – ela se viu perguntar quase que por instinto, pensando logo em seguida na resposta do rapaz que a tinha trago até ali.

            - Sou um amigo. – diz o homem de meia-idade. – Meu nome é Marcos. Sou como você, ou pelo menos me pareço com você. Eu conhecia seu mestre e... digamos que... devia alguns favores a ele. – seu olhar não mentia. Ele estava falando a verdade. Durante vários anos de existência e convivência com pessoas, Vanessa tinha aprendido a perceber os símbolos que o corpo podia mostrar, descobrindo assim vários sentimentos ocultos por trás de expressões e movimentos corporais.

            - Que tipo de favores são esses? – ela pergunta, curiosa, pois até o momento, pensava que seu dono não confiava em ninguém, muito menos ao ponto de fazer favores pra ele. “Conhecia? Então ele já sabe do ocorrido? Mas... como?

            - Matheus salvou minha vida mais de uma vez! – ele revela. – Além disso, já batalhamos muitas vezes juntos, bem antes de você nascer! –

            “Quantos anos ele acha que eu tenho?
            “Meu mestre nunca me revelou sua verdadeira idade. Eu pensava que era porque ele não sabia ao certo.” ela pensa.

            - Vocês... lutaram lado a lado? Pelo quê? – ela pergunta, ainda mais curiosa.

            Buuuum!
            Uma explosão.

            “Os perseguidores!” – Vanessa pensa, se levantando da cadeira e olhando na direção do barulho.

            A porta da frente voa na direção dela e de Marcos, que bate suas mãos com força na porta, explodindo-a em uma bola de fogo que se alastra pela mesa e pelas cadeiras.

            - Corra! – ela o ouve dizer baixinho. – Rodrigo! Pra onde ele foi? – diz Marcos procurando pelo rapaz que trouxe Vanessa até aqui.

            - Estou aqui mestre! – o rapaz grita do outro lado, já na porta para o próximo cômodo, com duas pistolas nas mãos. Rodrigo atira. Vanessa olha para onde ele estava atirando e vê dois homens vestidos com ternos negros e gravatas verde-escuras, logo atrás deles, mais cinco homens entram pela porta. Ela corre na direção de Rodrigo, Marcos vai logo atrás, protegendo-a, seguido por Rodrigo, que encobria sua fuga.

            - Eu devia imaginar! – disse Marcos. – Eles conseguiram farejar o rastro de vocês. Malditos! Estão cada dia mais perigosos! –

            Eles correm para o fundo da casa. Já é tarde da noite. Marcos abre a porta de um pequeno cômodo próximo à enorme varanda da casa. Vanessa entra e se depara com uma longa e escura escada pra descer. Ela abre a boca pra falar, mas o barulho dos tiros abafa toda e qualquer tentativa de querer dizer algo. Ela tropeça e despenca da escada. E vê sua consciência desaparecendo aos poucos em meio aos estrondos da luta lá em cima.
~ ~

            Vanessa acorda num quarto grande e espaçoso, numa cama macia e com toda a decoração do quarto em branco. Cortinas, roupa de cama, móveis. Rodrigo segura uma bandeja com várias taças daquele líquido vermelho da vida, que era como seu mestre costumava chamá-lo. Vanessa se espantou e hesitou. “Como posso confiar?” – pensou, mas a fome despedaçava seu interior, como se seu estômago sugasse todos os outros órgãos pra dentro dele há horas. Ela esticou o braço e pegou uma das taças. Rodrigo colocou a bandeja numa pequena mesa a sua frente e permaneceu de pé ao lado dela.

            Aquele líquido exalava seu cheiro inconfundível. Algo que circulava em suas veias na medida em que ela o ingeria. Vanessa sentiu sua energia se reconstituindo. Sua vontade era de beber mais e mais, e se embebedar de vida, mas ela se conteve, devolvendo a taça vazia à bandeja à sua frente, enquanto encarava Marcos, que a aguardava paciente.

            - Me perdoe! – ela diz. – Já faz muito tempo... –

            - Não se preocupe minha querida! - ele a interrompeu. - Beba mais se assim desejar! – disse com um sorriso de satisfação, como um pai que vê seu filho dizendo suas primeiras palavras.

            Ela fitou-o por um longo tempo, imaginando tudo o que acontecera há algumas horas atrás. O ferimento grave em seu braço começara a se fechar, como sempre acontecia quando ela se alimentava. Ela ainda se sente agitada pelo que aconteceu com o seu dono e sua experiência de quase ter sido destruída, e ainda tentava imaginar o que aconteceu com os sete homens que atacaram a casa de Marcos antes dela apagar. Vanessa ainda estava confusa com o ataque. Próximo à porta do quarto, ela pôde ver uma pequena gaiola com sete pequenos camundongos, que chiavam e brigavam para escapar dali. Vanessa ainda sente o cheiro de queimado e, quando olha, percebe que ainda está na casa de Marcos, num quarto logo ao lado da sala destruída.

            - Obrigado! – ela agradeceu. – Mas... quem eram aqueles? Por que nos atacaram? -

            - Você é muito preciosa. Por isso está sendo caçada. – Marcos diz.

            - Preciosa? - ela pergunta, revoltada. - Sou só uma besta, um monstro criado por esse mundo de maldições, castigos e... –

            - Não Vanessa! – Marcos a interrompe novamente. – Você não sabe o quanto sua vida mudará de agora em diante. Matheus aguardava pelo momento certo de te contar, mas não teve oportunidade de fazer isso. –

            - O que aconteceu depois que caí das escadas? – Vanessa pergunta, confusa. – Onde estão aqueles homens? –

            - Você os transformou em pequenos ratos. – diz Marcos. – Quando caiu da escada, soube na hora que era você. Você se ergueu no ar e, com um simples movimento de braços, arremessou todos eles contra a parede. Quando caíram, não eram mais humanos. Você é, sem dúvida, a reencarnação de Lilith... -

- Eu os transformei naquilo? E... Eu sou... – Vanessa diz, ainda transtornada, ao ouvir o que Marcos acabara de contar. – A reencarnação de quem? –

            - De Lilith, nossa mãe. – ele repete. – A primeira mulher de Adão, segundo as lendas. – Marcos parece orgulhoso ao dizer isso. - Foi ela quem criou todos os monstros após ter sido exilada para o abismo profundo, quando se questionou se teria os mesmos direitos do homem. –

            Vanessa desde pequena foi criada na filosofia cristã católica. Já tinha ouvido falar da história de Lilith, mas seus pais a fizeram acreditar que aquele mito tinha sido criado pra tentar derrubar a igreja. Além do mais, ela nunca tinha procurado saber mais nada a respeito. No princípio ela esboçou um sorriso, pensando que era uma brincadeira de mau gosto, mas depois, ao ver a expressão sincera no rosto de Marcos, Vanessa começou a se questionar, pois, se podiam existir pessoas como ela, que ela acreditava serem apenas mitos, então podia existir qualquer coisa. Foi ela quem criou todos os monstros... – a voz de Marcos ecoava em sua mente.

Fabiano Lobo

22/09/2013

Resenha - Nada Dura Para Sempre - Sidney Sheldon

 E acrescentei mais um livro às minhas leituras do Sidney Sheldon! O nome é Nada Dura Para Sempre, e segue um mesmo "padrão" do autor, que se mostra bastante feminista, tendo como foco suas personagens bem sucedidas que sempre dão a volta por cima, mas que, para chegarem lá, são maltratadas por essas criaturas chamadas homens.

Em off: Primeiramente quero me desculpar pela sumida do blog. É que andava meio sem tempo de resenhar, mas não de ler! Nesse meio tempo li dois livros da saga Percy Jackson e os Olimpianos, Cidade dos Ossos (da saga Os Instrumentos Mortais) e o surpreendente God Of War, que ainda quero falar a respeito aqui no blog. Pra quem segue o blog, obrigado pelo carinho e espero que gostem desses novos comentários que tenho feito aqui!


Deem uma lida na sinopse:

"Kat Hunter, Betty Taft (Honey) e Paige Taylor são as únicas mulheres em um grupo de médicos residentes de um hospital de São Francisco. Além de trabalharem juntas, elas dividem o mesmo apartamento e protagonizam situações, no mínimo, insólitas: a primeira, por pouco não provoca a interdição do hospital; a segunda mata um doente em troca de 1 milhão de dólares; e a terceira é assassinada. Em "Nada Dura Para Sempre", Sidney Sheldon envolve o leitor em uma trama na qual transitam profissionais da medicina e mafiosos, pacientes e viciados em drogas. Um jogo de gato e rato capaz de tirar o fôlego, com todos os elementos que transformaram os livros de Sheldon em campeões de vendas."

A sinopse já nos deixa curiosos para essa emocionante história, que se mostra desde o início uma obra cheia de suspense, capaz de gerar curiosidade a cada capítulo lido. O estilo inconfundível do autor coloca um acontecimento emocionante a cada último parágrafo de cada capítulo, o que sempre nos deixa ansiosos pelo que vem pela frente. Não focarei essa resenha na história do livro, pois não gosto de dar spoilers em meus comentários. Falarei aqui sobre o estilo maravilhoso de Sidney Sheldon escrever, o que vem me cativando a cada livro lido (esse foi o terceiro, antes dele li O Reverso da Medalha e A Senhora do Jogo [na verdade esse foi escrito por Tilly Bagshawe, que foi convidada a continuar a saga de O Reverso da Medalha, pela família Sheldon]).

Como comentei no início, o autor sempre coloca em suas obras personagens bem trabalhadas que se assemelham muito com personagens reais, por suas atitudes e as situações pelas quais passam. Nesse livro em particular, observei várias situações que devem ser comuns na vida de um médico e, principalmente, de uma médica, pois essas são as três personagens principais. É interessante e motivante pensar nessas personagens como reflexos de pessoas reais, mulheres batalhadoras e independentes que buscam sempre seus ideais, sem se preocupar com a opressão que sofrem pela sociedade através do preconceito e de ideologias machistas que estragam o mundo de hoje e as mulheres de hoje. Sidney Sheldon nos apresenta em suas obras mulheres que sofreram e sofrem por causa de homens, desde traições até abuso sexual e pedofilia, e algumas delas conseguem dar a volta por cima, conseguindo conquistar sua felicidade livrando-se de todos esses problemas.

Recomendo muito esses três livros do autor, que não só trata de mulheres, mas sim de pessoas sofridas que passam por perigos e problemas muito mais difíceis que os que passamos em nosso dia-a-dia, e que conseguem, com muito esforço, se livrar dessas situações devastadoras e conseguir chegar a um, digamos, "felizes para sempre".

Leia Sidney Sheldon, e aprenda com seus personagens sobre o tamanho do mundo e a importância do tamanho do seu mundo em detrimento a tudo na vida, pois pode parecer besteira, mas já aprendi a batalhar e alcançar meus objetivos com seus personagens, aprendi a temer a raça humana e a duvidar ou me surpreender com pessoas e acontecimentos. Quero ler os outros livros dele!!!